Franciscan Order of St. Joseph Cupertino
Franciscan Order of St. Joseph Cupertino
Founded by Bishop Filipe Teixeira, OFSJC
as a Ministry of St. Francis Diocese
156 Grove Street
Brockton, Massachusetts 02302
Telephone:  508-586-7759
Cell Phone:  617-894-5175
email:  
franciscancupertinos@gmail.com  
Website:  www.ourcca.com
On September 18, 2002, Bishop Filipe Cupertino Teixeira, OFSJC, founded the Franciscan Order of St. Joseph
Cupertrino for men and women in the diocese of St. Francis Assisi CCA in the city of Brockton, Massachusetts.  
Sept. 18, the day of foundation, is the feast day of our patron, St. Joseph Cupertino.

The establishment of an order such as this is a dream that Bishop Teixeira had for many years ... even before he
was ordained to the priesthood.  When Bishop Teixeira was ten years old, he felt the calling to live the Franciscan
life.  In his birth country of Angola, Africa, he was baptized by the Capuchin Friars.   Bishop Teixeira entered the
Capuchin Seminary in Camabatela, Angola, where he developed his Franciscan vocation.
Charisms of the Order

  • To proclaim the Gospel of Christ to all people without any distinction.  

  • Ministry to those marginalized from the society by poverty, crime,  deportation, etc.  

  • Living the Franciscan spirituality by imitating the life of St. Francis of Assisi, St. Clare
    of Assisi, St. Joseph Cupertino in light of the Gospels.

  • To evangelize our brothers and sisters marginalized by society because of their
    socioeconomic status

  • To live the Franciscan spirituality through a communal life in prayer and the Eucharist
Sisters and brothers will live the vows of poverty, obedience and chastity as well as a vow of
service to deportees.  The order will be devoted to those who are being deported or face
deportation.

Franciscan spirituality, Trovador Francis, continues to be alive and active in the world today.  Many
young people continue to follow Christ by imitating the life of St. Francis of Assisi.  

Come, St. Francis, come again, bring peace and love to the world.
Who Is St. Joseph Cupertino?

St. Joseph was born at Cupertino, in the Diocese of Nardio in the Kingdom of Naples, in 1603.  
After spending his childhood and adolescence in simplicity and innocence, he finally joined the
Franciscan Friars Minor Conventual.  After his ordination to the holy priesthood, he gave himself
up entirely to a life of humiliation, mortification and obedience.  He was most devoted to the
Blessed Mother and promoted devotion to her among all classes of people.  It is said that the life
of this saint was marked by ecstacies and levitations.  The mere mention of God or a spiritual
matter was enough to take him out of his senses.
The order is governed by the General Superior for the entire world.  
Provinces divide the order.  
Each province has a Provincial Superior, three counselors, a secretary and a treasurer
Governance of the Order
Religious Formation
1.  Candidate:  six months to one year
2.  
Postulant:  six months to one year
3.  
Novice:  One year in novitiate
4.  
Temporary Vows:  Three years.  Each member can renew the vows twice by petitioning the
Provincial.
5.  
Perpetual Vows:  After six years in the order under temporary vows,each member can petition
the General Superior to profess his or her Perpetual Vows.
Nascido no coração da Itália, nos últimos vinte anos do século XII (fim de 1181 ou início de 1182), filho do rico proprietário e comerciante de tecidos Pedro de Bernardone e de Joana, chamada
Pica, seu nome
batismal - João - foi logo mudado para Francisco ("francês", nome já em uso, mas não muito difundido na Itália) pelo pai, ao voltar dos seus negócios na França. A mãe, muito piedosa, cuidou
de sua primeira
formação religiosa.          
O Santo aprendeu a ler e escrever na escola paroquial de São Jorge, em Assis, e completou sua modesta
cultura com elementos de cálculo, de poesia e música, adquirindo também uma escassa noção da língua
francesa (provençal) bem como de contos e lendas de cavalaria. De gênio perspicaz e muito boa memória, Francisco adquirirá, mais tarde, uma discreta cultura religiosa, lendo e meditando.
Filho de rica família burguesa, com um pai ambicioso, que pretendia alargar no exterior a área do seu comércio, o ambiente familiar de Francisco foi aquele típico da classe média da
sociedade italiana da época, em escalada civil e política, ávida de bem-estar e liberdade, até a conquista de um título de nobreza para equiparar-se aos "maiores", que pairavam acima da
massa dos pobres e "menores".
Francisco, largamente dotado de inteligência, ambicioso e ativo, no primeiro período de vinte e cinco anos de vida "no século" (1182-1207), tentou pessoalmente todas estas vias de subida e
de glória mundana.
Associado, por volta dos 14 anos, ao trabalho paterno na artes dos mercadores (1196), exerceu com
competência aquela arte, atento aos lucros, embora não fosse bom administrador destes. Com efeito, filho primogênito (com um só irmão menor, Ângelo), aclamado rei das festas e da
juventude assisiense, gastava profusamente as riquezas paternas, vestindo roupas curiosas e vistosas, entretendo-se em noites de gala entre músicas e cantos. Tolerado com indulgência
pelos pais naquelas despesas "principescas", era admirado especialmente pela mãe e pelos amigos por suas boas qualidades naturais e morais, nobreza de palavras e de trato, generosidade
com os pobres e singular integridade dos costumes (2Cel, 3).
Vivaz observador, bem como participante da conquista da liberdade cívica na luta contra o feudatário
imperial de Spoleto (1198), tomou parte ativa, aos vinte anos, na guerra comunal de Assis contra Perúgia (1202) e caiu prisioneiro dos peruginos. Libertado após um ano de prisão e provado
por longa doença, o mundo começou a parecer-lhe diferente e estranho. Mas depois de certo tempo, restabelecido da doença e atraído por novos sonhos de glória, decidiu ir até as Apúlias
para a conquista do título de cavaleiro (1205).
A viagem de Francisco foi, contudo, interrompida em Spoleto, a sua "estrada de Damasco", onde o Senhor o convidava, em sonho, a entrar na companhia de um senhor mais nobre (2Cel, 5-
6).
Voltando a Assis, com o presságio de "tornar-se um grande príncipe" (2Cel, 6), afasta-se logo da companhia dos amigos, entretendo-se longamente em oração e lágrimas numa gruta solitária;
depois de vencer sua extrema repugnância pela lepra, com um beijo num leproso, é atingido pela "iluminação" do Senhor na primeira aparição do Crucificado que lhe imprime no coração o
amor e o pranto pela paixão (LM I,5).
Francisco aplica-se assiduamente ao serviço dos leprosos, multiplicando as esmolas aos pobres, aos
sacerdotes e às igrejas pobres. Pouco depois, em oração na igrejinha de São Damião, a voz do Crucificado, convida-o a "reparar a sua Igreja, que está em ruínas" (LM II,1).
Revestido de uma pobre túnica, assinalada por uma cruz, e proclamando-se o "arauto do grande rei", ele
passa um biênio de vida penitente e eremítica, entregue à oração e a serviços humildes, por breve tempo também, num mosteiro beneditino. Depois, interpretando literalmente o convite do
Crucificado, empenha-se na restauração material de três igrejas de Assis: São Damião, São Pedro della Spina e Santa Maria dos Anjos, chamada Porciúncula.
À espera de nova iluminação divina, que veio logo depois da última restauração, quando escutou o
Evangelho do envio e da pobreza dos Apóstolos, na igreja da Porciúncula (cerca de 24 de fevereiro de
1208), Francisco pediu explicação ao sacerdote a respeito do referido Evangelho e, nele reconheceu com
alegria a própria vocação e missão (Mt 10; Lc 9,10). Executando à letra aquelas disposições,  vestiu-se de hábito minorítico: uma túnica em forma de cruz, um cordão branco, pés descalços e,
certamente,
com permissão do bispo, começou a pregar sobre paz e penitência, com grande fervor de espírito, na igreja de São Jorge (1Cel, 23).
Seguiram-no o rico Bernardo de Quintavalle e o doutor em Direito, Pedro Cattani, aos quais se juntaram o jovem Egídio e mais oito companheiros (1208). Um ano depois, o grupo foi aprovado
em seu modo de vida comunitária e apostólica pelo Papa Inocêncio (1209). Era a Primeira Ordem, a "Ordem dos Menores".
Instituiu também a Segunda (Damas Pobres de São Damião ou Clarissas) e a Terceira Ordem.
Já doente, o próprio Santo, após o retorno do Oriente, providenciou para a Ordem a direção ativa de um
vigário, na pessoa de Frei Elias de Assis (1221-1227), e a Regra definitiva (1223). Encaminhava-se ao
último período da sua vida, num crescendo de ascensões místicas e no desejo de mais íntima participação e conformidade com o Crucificado.
No verão de 1224, retirou-se para o Monte Alverne, onde, entre prolongadas orações, meditações e jejuns, apareceu-lhe o próprio Cristo Crucificado, na figura de um Serafim alado e
flamejante, que lhe imprimiu na carne os estigmas vivos da paixão: feridas abertas e sangrentas, com pregos de longas pontas dobradas (constituídas pela própria carne) nas mãos e nos pés,
além da chaga no peito.
Descendo do Monte Alverne, Francisco transcorreu seu último biênio de vida numa contínua paixão de
doenças e dores, afligido por uma grave oftalmia contraída no Oriente. Entre o fim de 1224 e os primeiros dias de 1225, "certificado" pelo Senhor de sua morte próxima e do prêmio eterno,
num ímpeto de exaltação mística pela obra da criação, ditou aos companheiros o "Cântico do irmão Sol e de todas as criaturas" (LP 43-45).
Na Porciúncula, meditando a narração joanina da Paixão e celebrando com seus religiosos a lembrança da última ceia do Senhor, invocando a "irmã morte" e cantando o Salmo "Em voz alta
ao Senhor eu imploro...
Muitos justos virão rodear-me pelo bem que fizeste por mim" expirou na tarde de Sábado de 03 de outubro de 1226, com a idade de 44 anos.
Sobre a terra nua, apresentando seus estigmas, vistos então por centenas de frades e leigos, "parecia um verdadeiro crucificado deposto na cruz" (Frei Leão em Salimbene, 195; cf. 1Cel,
112).
No dia seguinte, Domingo, pela manhã, com solene procissão do clero e povo, seu corpo foi levado à
igrejinha de São Jorge, dentro dos muros da cidade, ficando aí guardado por cerca de quatro anos, onde
também o Santo foi canonizado, em 16 de Julho de 1228.
O corpo foi transladado depois (25.05.1230) para a nova Basílica de São Francisco, erguida por vontade
de Gregório IX e por mérito de Frei Elias, sobre a colina do Paraíso.

(FRADES MENORES CONVENTUAIS. História e Vida: 1209-1995, p. 16-21).

Cronologia de São Francisco
1181-1182 - Nasce em Assis o filho de Pedro Bernardone e de Dona Joana (provável nome da mãe,
conhecida pelo cognome de Pica). No batismo recebeu da mãe o nome de João. Ao regressar de uma
viagem, o pai deu-lhe o nome de Francisco.
1202 - Guerra entre os nobres de Assis aliados com Perúgia e os burgueses de Assis. A batalha tem lugar
em Collestrada. Francisco participa da guerra. Assis é vencida, e Francisco é feito prisioneiro. Após um ano de prisão, acometido por uma doença, Francisco é resgatado pelo pai.
1204 - Francisco passa por longa doença.
Fim de 1204 ou início de 1205 - Francisco parte para a guerra na Apúlia. Em Espoleto, tem uma visão e
volta para Assis. É o início de sua conversão.
1205 - Entre setembro e dezembro, mensagem do crucifixo de São Damião.
1206 - Entre janeiro e fevereiro, Francisco despoja-se diante do bispo Guido II (1204 a 30 de junho de
1228). Entre março e junho, em Gubbio, presta seus serviços aos leprosos. Em julho, volta para Assis, veste um hábito de eremita e inicia o trabalho de restauração da igrejinha de São
Damião. Pede pedras para essa igreja e profetiza sobre as Damas Pobres. Até janeiro ou fevereiro de 1208, trabalha na restauração de três igrejinhas: a de São Damião, a de São Pedro e a
da Porciúncula.
1208 - 24 de fevereiro: festa de São Matias. Francisco ouve na Porciúncula o Evangelho do envio
apostólico. Troca as vestes de eremita por um hábito rude e torna-se pregador itinerante. É o início da vida propriamente franciscana.
No dia 16 de abril, recebe como companheiros Frei Bernardo de Quintavalle e Frei Pedro Cattani e, no dia 23 do mesmo mês, recebe Frei Egídio.
Entre março e junho: A primeira missão. Francisco e Egídio vão à Marca de Ancona e acolhe mais três
companheiros, entre os quais Filipe Longo.
Entre setembro de 1208 e março de 1209, a segunda missão. Todos se dirigem a Poggiobustone. Francisco certifica-se do perdão dos pecados. Depois de receber mais um companheiro,
envia todos para a terceira missão, dois a dois pelas quatro direções do mundo. Bernardo e Egídio vão para Florença.
1209 - Ainda no início do ano, todos estão de volta à Porciúncula. Unem-se a eles mais quatro.
Entre março e junho, Francisco escreve uma breve Regra e vai a Roma com os onze companheiros. Obtém a aprovação oral desta primeira Regra. Ao retornarem a Assis, estabelecem-se em
Rivotorto, num tugúrio abandonado.
Aos 4 de outubro, Oto IV é coroado imperador em Roma e está em Assis entre dezembro de 1209 e
janeiro de 1210 - Seu cortejo passa perto de Rivotorto, mas não se sabe se antes ou depois da coroação.
Ainda em fins de 1209 ou início de 1210, os frades deixam Rivotorto e voltam para a Porciúncula. A
Porciúncula pertencia aos beneditinos cluniacenses, que a alugaram por um preço simbólico a Francisco.
Esta igreja se tornou o berço da Ordem.
1210 - Rufino, primo de Clara, associa-se a Francisco. Possivelmente na quaresma desse ano, Francisco
prega a quaresma na catedral de São Rufino. Iniciam-se também os diálogos secretos entre Clara e
Francisco.
1211 - Entre junho e setembro, Francisco vai à Dalmácia e retorna.
1213 - No dia 8 de maio, em São Leão, perto de San Marino, o senhor Orlando Cattani, conde de Chiusi,
oferece a Francisco o Monte Alverne, perto de Arezzo, para servir aos irmãos como eremitério.
1213 ou 1214-1215 - Francisco dirige-se a Marrocos para pregar aos sarracenos. Chegando à Espanha,
adoece gravemente, devendo retornar logo à Itália. Logo que volta, Tomás de Celano é recebido com
muitos outros nobres e letrados à Ordem.
1216 - Entre junho e setembro, Francisco obtém do papa Honório III a indulgência da Porciúncula.
1217 - No dia 5 de maio: Capítulo geral na Porciúncula. A Ordem é estruturada em províncias. Primeira
missão além dos Alpes e além-mar. Frei Egídio vai para Tunis, Frei Elias para a Síria, Francisco pretende
viajar para a França, mas o cardeal Hugolino, legado papal na Toscana, dissuade-o da viagem.
1219 - No dia 26 de maio: Capítulo geral. Grandes missões ao exterior: Alemanha, França, Hungria,
Espanha, Marrocos. Em junho, Francisco parte de Ancona para o Oriente. Os que vão para a Alemanha,
França e Hungria sofrem desconfiança e maus-tratos. Os que vão para Marrocos sofrem o martírio.
Motivado por este martírio, Santo Antônio pede admissão na Ordem franciscana.
Entre setembro e dezembro, Francisco chega ao acampamento do Sultão do Egito, Malek-el-Kamel (1218-1238).
Na Itália, Clara pede ao papa um visitador franciscano para São Damião. O papa concede-lhe Frei Filipe
Longo, dando-lhe a faculdade de excomungar aos que perturbarem as monjas.
O cardeal Hugolino envia sua nova Regra aos mosteiros de Monticelli (Florença), de Gattaiola de Lucca, de Porta Camullia e de Monteluce (Florença).
1220 - No início do ano, Francisco dirige-se a São João d'Acre (Accon), onde havia uma fortaleza dos
cruzados, e daí vai à Terra Santa. Na sua ausência da Itália, nomeara dois vigários que começaram a
introduzir novidades na Ordem, instituindo novos dias de jejum e abstinência. A ordem entra em processo de crise.
Entre março e setembro, Francisco retorna à Itália. Pede ao papa que nomeie Hugolino como cardeal
protetor da Ordem. Reorganiza a Ordem.
1220 - Francisco nomeia Frei Pedro Cattani como seu vigário.
1221 - Morre Frei Pedro Cattani em março. Em maio: Capítulo geral. Frei Elias é nomeado vigário em lugar de Frei Pedro Cattani. A Regra, adornada com citações do Evangelho por Frei
Cesário de Espira, chega à sua plena evolução. No fim do Capítulo, organiza-se nova missão à Alemanha. Dirigida desta vez por um alemão, Frei Cesário de Espira, a missão teve sucesso.
1221 - O papa Honório III aprova a Regra da Ordem Terceira.
1222 - Na festa da Assunção, Francisco prega em Bolonha, na sede dos estudos jurídicos, visando extinguir inimizades e reformar os pactos de paz. Muitas famílias fizeram pacto de paz.
1223 - Início do ano: Francisco redige a Regra definitiva em Fonte Colombo. A nova redação foi
apresentada e discutida no Capítulo geral em junho. Aos 29 de novembro, o papa Honório III aprova-a com bula. O texto original encontra-se como relíquia no Sacro Convento de Assis.
Na noite de Natal, Francisco celebra em Greccio o nascimento de Jesus Cristo, diante de um presépio.
1224 - Segue uma missão de frades para a Inglaterra. A missão foi bem sucedida.
No final do mês de julho ou início de agosto, Frei Elias é advertido em sonho ou visão de que Francisco terá apenas mais dois anos de vida.
Entre 15 de agosto e 29 de setembro, Francisco dirige-se ao Alverne com Frei Leão e Frei Rufino a fim de
fazer uma quaresma de oração e jejum em honra de São Miguel. Na proximidade de 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, Francisco tem a visão do Serafim alado e crucificado e
recebe os estigmas.
Em outubro ou início de novembro, retorna à Porciúncula, passando por Borgo San Sepolcro, Monte Casale e Città di Castello.
Em dezembro de 1224 ou janeiro-fevereiro de 1225, Francisco faz um giro de pregações pela Úmbria e
Marca de Ancona.
1225 - Mês de março: Francisco visita Santa Clara em São Damião. A enfermidade dos olhos piora. Ele fica numa cela ou casa do capelão. Frei Elias insiste em que ele deva fazer um
tratamento, e ele consente.
Abril ou maio: Francisco recebe o tratamento, mas de nada adianta. Depois de uma noite de tormentos pela dor e pelos ratos, compõe o Cântico do Irmão Sol.
Junho: acrescenta ao Cântico a estrofe sobre a paz, para a reconciliação entre o bispo e o podestà.
Aconselhado por uma carta do cardeal Hugolino, Francisco deixa São Damião e dirige-se para Rieti, onde
havia os melhores médicos dos olhos.
Início de julho: Francisco é acolhido em Rieti pelo cardeal Hugolino e pela corte papal; vai submeter-se a um tratamento com os médicos da corte pontifícia. É conduzido a Fonte Colombo para
o tratamento, mas adia, devido à ausência de Frei Elias.
Julho ou agosto: cauterização do nervo ótico, estendendo-se da orelha ao supercílio; sem resultado.
Setembro: Francisco vai a São Fabiano (La Foresta) para um tratamento com outro médico. Restaura a
vinha do sacerdote danificada pelos visitantes.
1225 - De outubro de 1225 aos primeiros meses de 1226, Francisco está ora em Rieti, ora em Fonte
Colombo.
1225 - Os Frades Menores chegam a Praga.
1226 - Abril Francisco vai a Sena para outro tratamento dos olhos.
Maio ou junho: volta para a Porciúncula, via Cortona.
Julho-agosto: é levado para Bagnara, perto de Nocera.
Fim de agosto ou início de setembro: piora o estado de saúde, e ele é conduzido ao palácio do bispo de
Assis.
Sentindo iminente a morte, pede para ser transportado para a Porciúncula. Na planície, abençoa a cidade de Assis.
Nos últimos dias de vida, dita o Testamento.
Na proximidade da morte, pede para ser colocado nu sobre a terra nua. Aceita de empréstimo um hábito do guardião. Lê o Evangelho da Última ceia e abençoa os irmãos presentes e futuros.
1226 - Dia 3 de outubro, à tarde: Francisco morreu cantando. No dia seguinte, domingo, foi sepultado na
igreja de São Jorge, mas antes o cortejo fúnebre passou por São Damião, para ser venerado por Clara e
suas irmãs.
1228 - 16 de julho: Canonização de São Francisco.
1230 - 25 de maio: transladação dos restos mortais de Francisco para a basílica que estava sendo
construída em sua honra.
Te
xtos
CÂNTICO DO IRMÃO SOL OU LOUVORES DAS CRIATURAS
Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são o louvor, a glória e a honra e toda bênção (cf. Ap 4,9.11).
Somente a ti, ó Altíssimo, eles convêm, e homem algum é digno de mencionar-te.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas (cf. Tb 8,7), especialmente o senhor irmão sol, o
qual é dia, e por ele nos iluminas.
E ele é belo e radiante com grande esplendor, de ti, Altíssimo, traz o significado.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas (cf. Sl 148,3), no céu as formaste claras e
preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, e pelo ar e pelas nuvens e pelo sereno e por todo tempo,
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água (cf. Sl 148,4.5), que é muito útil e humilde e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo (cf. Dn 3,66), pelo qual iluminas a noite (cf. Sl 77,14), e ele é
belo e agradável e robusto e forte.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a mãe terra (cf. Dn 3,74), que nos sustenta e governa e produz diversos frutos com coloridas flores e ervas (cf. Sl 103,13.14).
Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam (cf. Mt 6,12) pelo teu amor, e suportam enfermidade e tribulação.
Bem-aventurados aqueles que as suportarem em paz porque por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrerem em pecado mortal: bem-aventurados os que ela encontrar na tua santíssima
vontade, porque a morte segunda (cf. Ap 2,11;20,6) não lhes fará mal.
Louvai e bendizei ao meu Senhor (cf. Dn 3,85), e rendei-lhe graças e servi-o com grande humildade.

SAUDAÇÃO ÀS VIRTUDES
1Ave, rainha sabedoria, o Senhor te salve com tua irmã, a santa e pura simplicidade. 2Senhora santa
pobreza, o Senhor te salve com tua irmã, a santa humildade. 3Senhora santa caridade, o Senhor te salve
com a tua irmã, a santa obediência. 4Santíssimas virtudes todas, salve-vos o Senhor de quem vindes e
procedeis.
5Não há absolutamente em todo o mundo nenhum homem que possa ter uma de vós se antes não morrer.
6Aquele que tem uma e não ofende as outras tem todas. 7E aquele que ofende uma (cf. Tg 2,10) não tem nenhuma e a todas ofende. 8E cada uma delas confunde os vícios e pecados.
9A santa sabedoria confunde a satanás e todas as suas malícias. 10A pura e santa simplicidade confunde
toda a sabedoria deste mundo (cf. 1Cor 2,6) e a sabedoria da carne. 11A santa pobreza confunde a
ganância e a avareza e os cuidados deste mundo. 12A santa humildade confunde a soberba e todos os
homens que há no mundo e igualmente todas as coisas que há no mundo. 13A santa caridade confunde
todas as tentações diabólicas e carnais e todos os temores (cf. 1Jo 4,18) da carne. 14A santa obediência
confunde todas as vontades próprias, corporais e carnais, 15e mantém o corpo mortificado para a
obediência ao espírito e ao seu irmão 16e torna o homem súdito e submisso a todos os homens que há no mundo, 17e não somente aos homens, mas também a todos os animais e feras,
18para que possam fazer dele o que quiserem, tanto quanto lhes for permitido do alto (cf. Jo 19,11) pelo Senhor.

TESTAMENTO
I. 1Foi assim que o Senhor concedeu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: como eu estivesse em pecados, parecia-me sobremaneira amargo ver leprosos. 2E o próprio Senhor
me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles. 3E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo se me converteu em doçura de alma e de corpo; e, depois, demorei só um pouco e
sai do mundo. 4E o Senhor me deu tão grande fé nas igrejas que simplesmente eu orava e dizia: 5Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas que há em todo
o mundo, e vos bendizemos, porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.
6Depois, o Senhor me deu e me dá tanta fé nos sacerdotes que vivem segundo a forma da santa Igreja
Romana - por causa da ordem deles - que, se me perseguirem, quero recorrer a eles. 7E se eu tivesse tanta sabedoria quanta teve Salomão (cf. 1Rs 4,30-31) e encontrasse sacerdotes
pobrezinhos deste mundo, não quero pregar nas paróquias em que eles moram, passando por cima da vontade deles. 8E a eles e a todos os outros quero temer, amar e honrar como a meus
senhores. 9E não quero considerar neles o pecado, porque vejo neles o Filho de Deus, e eles são meus senhores. 10E ajo desta maneira, porque nada vejo corporalmente neste mundo do
mesmo altíssimo Filho de Deus, a não ser o seu santíssimo corpo e seu santíssimo sangue que eles recebem e só eles ministram aos outros. 11E quero que estes santíssimos mistérios sejam
honrados e venerados acima de tudo e colocados em lugares preciosos. 12Os santíssimos nomes e palavras dele escritos, se por acaso eu os encontrar em lugares inconvenientes, quero
recolhê-los e rogo que sejam recolhidos e colocados em lugar honesto. 13E a todos os teólogos e aos que ministram as santíssimas palavras divinas devemos honrar e venerar como a quem
nos ministra espírito e vida (cf. Jo 6,64).
II. 14E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo
mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho. 15E eu o fiz escrever com
poucas palavras e de modo simples, e o senhor Papa mo confirmou. 16E aqueles que vinham para assumir esta vida davam aos pobres tudo o que podiam ter (cf. Tb 1,3); e estavam
contentes com uma só túnica, remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções. 17E mais não queríamos ter. 18E nós, clérigos, rezávamos o ofício como os outros clérigos, os leigos
diziam os Pai-nossos (cf. Mt 6,9-13); e de boa vontade ficávamos nas igrejas. 19E éramos iletrados e submissos a todos. 20E eu trabalhava com as minhas mãos (cf. At 20,34) e quero
trabalhar; e quero firmemente que todos os outros irmãos trabalhem num ofício que convenha à honestidade. 21Os que não sabem trabalhar aprendam, não pelo desejo de receber o salário
do trabalho, mas por causa do exemplo e para afastar a ociosidade. 22E quando não nos for dado o salário, recorramos à mesa do Senhor, pedindo esmolas de porta em porta. 23Como
saudação, o Senhor me revelou que disséssemos: o Senhor te dê a paz (cf. 2Ts 3,16). 24Cuidem os irmãos para não receber de modo algum igrejas, pequenas habitações pobrezinhas e tudo
que for construído para eles, se não estiver como convém à santa pobreza que prometemos na regra, hospedando-se nelas sempre como forasteiros e peregrinos (cf. 1Pd 2,11). 25Mando
firmemente por obediência a todos os irmãos, onde quer que estejam, que não ousem pedir à Cúria Romana qualquer tipo de carta, nem por si nem por pessoa intermediária, nem em favor de
igreja nem em favor de outro lugar sob pretexto da pregação, nem por perseguição de seus corpos; 26mas, se em algum lugar não forem aceitos, fujam para outra (cf. Mt 10,23) terra para
fazer penitência com a bênção de Deus.
III. 27E quero firmemente obedecer ao ministro geral desta fraternidade e a qualquer outro guardião que lhe aprouver dar-me. 28E quero de tal modo estar preso em suas mãos que não eu
possa andar ou agir fora da obediência e da vontade dele, porque ele é meu senhor. 29E, embora eu seja simples e enfermo, quero, no entanto, ter sempre um clérigo que reze para mim o
ofício, como consta na regra. 30E todos os outros irmãos sejam obrigados do mesmo modo a obedecer aos seus guardiães e a rezar o ofício segundo a regra.
31E se forem encontrados os que não rezam o ofício segundo a regra e querem variar com outro modo ou que não são católicos, todos os irmãos, onde quer que estiverem, onde
encontrarem algum destes, por obediência sejam obrigados a apresentá-lo ao custódio mais próximo daquele lugar em que o encontraram.
32E o custódio esteja firmemente obrigado por obediência a guardá-lo fortemente como a um homem
prisioneiro, de dia e de noite, de tal modo que não possa escapar de suas mãos, até que o entregue
pessoalmente às mãos de seu ministro. 33E o ministro esteja firmemente obrigado por obediência a enviá-lo por tais irmãos, que o devem guardar de dia e de noite como a um homem
prisioneiro, até que o apresentem diante do senhor de Óstia, que é o senhor, o protetor e o corretor de toda a fraternidade. 34E não digam os irmãos: Esta é outra regra; porque esta é uma
recordação, uma admoestação, uma exortação e o meu testamento que eu, Frei Francisco pequenino, faço para vós, meus irmãos benditos, para que observemos mais catolicamente a regra
que prometemos ao Senhor.
IV. 35E o ministro geral e todos os outros ministros e custódios estejam obrigados pela obediência a nada acrescentar ou diminuir (cf. Dt 4,2; 12,32) a estas palavras. 36E tenham sempre
consigo este escrito junto à regra. 37E em todos os Capítulos que realizarem, ao lerem a regra, leiam também estas palavras. 38E ordeno firmemente por obediência a todos os meus irmãos,
clérigos e leigos, que não introduzam glosas na regra nem nestas palavras dizendo: assim devem ser entendidas. 39Mas, como o Senhor me concedeu de modo simples e claro dizer e
escrever a regra e estas palavras, igualmente, de modo simples e sem glosa, as entendais e com santa operação as observeis até o fim. 40E todo aquele que estas coisas observar seja
repleto no céu da benção do altíssimo Pai e na terra (cf. Gn 27,27-28) seja repleto da benção do seu dileto Filho com o Santíssimo Espírito Paráclito e com todas as virtudes dos céus e com
todos os santos. 41E eu, Frei Francisco pequenino, vosso servo, quanto posso, vos confirmo interior e exteriormente esta santíssima bênção.

A VERDADEIRA E PERFEITA ALEGRIA
1O mesmo [Frei Leonardo] contou na mesma ocasião que, um dia, o bem-aventurado Francisco, em Santa Maria, chamou Frei Leão e disse: "Frei Leão, escreve". 2Este respondeu: "Já estou
pronto". 3"Escreve" -
disse - o que é a verdadeira alegria". 4Vem um mensageiro e diz que todos os mestres de Paris entraram na Ordem; escreve que isto não é a verdadeira alegria. 5Igualmente, que [entraram
na Ordem] todos os
prelados ultramontanos, arcebispos e bispos, o rei da França e o rei da Inglaterra; escreve que isto não é a verdadeira alegria. 6Do mesmo modo, que os meus irmãos foram para o meio dos
infiéis e os converteram todos à fé; e, além disso, que eu tenho tanta graça de Deus que curo os enfermos e faço muitos milagres: digo-te que em tudo isto não está a verdadeira alegria.
7Mas o que é a verdadeira alegria? 8Volto de Perúgia e chego aqui na calada da noite; e é tempo de inverno, cheio de lama e tão frio que gotas de água se congelam nas extremidades da
túnica e [me] batem sempre nas pernas, e o sangue jorra de tais feridas. 9E totalmente na lama, no frio e no gelo, chego à porta, e depois de eu ter batido e chamado por muito tempo, vem
um irmão e pergunta: Quem és? Eu respondo: Frei Francisco. 10E ele diz: Vai-te embora! Não é hora decente de ficar andando; não entrarás. 11E, como insisto, de novo ele responde: Vai-te
embora! Tu és simples e idiota. De maneira alguma, serás acolhido junto a nós; somos tantos e tais que não precisamos de ti. 12E eu novamente me coloco de pé diante da porta e digo: Por
amor de Deus, acolhei-me por esta noite.
13E ele responde: Não o farei. 14Vai ao lugar dos Crucíferos e pede lá. 15Digo-te que, se eu tiver paciência e não ficar perturbado, nisto está a verdadeira alegria e a verdadeira virtude e a
salvação da alma.



Saint Clare of Assisi•        História
•        Cronologia
•        Textos
Santa Clara nasceu em 1193 ou em 1194, na cidade de Assis, filha primogênita antes de outras duas irmãs.
Sua família, por parte de pai, era uma família de cavaleiros; por parte de mãe, Clara tinha também o sangue da nobreza. Seu pai se chamava Favarone de Offreduccio, e sua mãe, Hortolana.
Além da nobreza de origem, a família era rica, possuidora de não poucos bens.          
Como convinha a uma jovem da nobreza, Clara foi educada para ser uma mulher da sociedade, mas sua
mãe, mulher de profunda piedade cristã, não se descuidou de transmitir-lhe também os ensinamentos da religião. Assim, desde criança, Clara acompanhava os gestos caridosos de sua mãe
para com os pobres de Assis. E ela mesma, desde tenra idade, já se privava de iguarias para, às escondidas, dá-las aos pobres.

Na idade de 17 para 18 anos, momento em que seus pais já estavam preocupados em arranjar-lhe um bom casamento, Clara, sob pretexto de pensar melhor sobre sua vida, postergava
sempre a idéia de contrair matrimônio, recusando com delicadeza os pretendentes que os pais lhe apresentava. Foi neste tempo que ouviu falar de Francisco, um jovem que deixou família e
riquezas para, com um grupo de companheiros - todos considerados loucos pela sociedade - simplesmente viver segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta idéia a empolgou.
Estava decidida: iria viver como aqueles jovens.
Depois de algumas conversas com Francisco, foi feito por ambos um plano de fuga. Deste modo, na noite do domingo de Ramos de 1211 (ou 1212), Clara abandonava a casa e era
conduzida à capela de Francisco e de seus companheiros para, aí, depor suas ricas vestes e vestir o hábito da penitência. Após esta breve cerimônia, Clara foi conduzida a um mosteiro de
monjas beneditinas.          
Quando a fuga foi descoberta, os parentes foram ao encalço dela. Tentaram de todos os modos possíveis convencê-la a voltar para casa. Mas ela, agarrando-se à toalha do altar, tirou o véu
que lhe cobria a cabeça tonsurada, sinal de sua consagração a Deus. Os parentes viram que nada mais tinham que fazer.
Duas semanas depois, nova fuga da casa de Favarone. Era a segunda filha, Inês, que fugia e ia viver com
Clara. Nova tentativa dos parentes de conduzir de volta a segunda filha. Tudo em vão. Assim, a nova
comunidade fundada por Clara começava a crescer. Vieram em seguida suas antigas companheiras: Pacífica, Benvinda de Perusa, Cecília de Gualtieri, Filipa de Gislério, Cristiana de
Bernardo e outras. Mais tarde veio também a outra irmã, Beatriz, e finalmente sua mãe Hortolana.
Depois de mais de quarenta anos de vida no mosteiro, uma vida escondida que, no entanto, irradiava por todas as regiões da Itália, Clara faleceu aos 11 de agosto de 1253, sendo
canonizada apenas dois anos depois de seu falecimento.
Frei Celso Marcio Teixeira, OFM.

Cronologia de Santa Clara
1194 - Nasce Clara, filha da nobre família dos Favarone, numa casa situada na praça da catedral, em Assis.
1198 - Devido a um conflito entre a nobreza (maiores) e a burguesia (minores), as famílias nobres de Assis se vêem forçadas a refugiar-se em Perúgia. Também a família de Clara (palácio
Coccorano).
1207-1208 - Clara, com 13 ou 14 anos manda carne para os pobres que trabalham na restauração da igreja da Porciúncula.
1211-1212 - No dia 18/19 de março, na noite de Domingo de Ramos para segunda-feira, Clara foge da
casa paterna e é acolhida por Francisco e pelos demais irmãos na Porciúncula, onde ela se consagra ao
Senhor. Francisco, logo a seguir, a conduz ao mosteiros das beneditinas de São Paulo de Bastia. Após
alguns dias, a transfere a Sant'Ângelo de Panzo. No dia 4 de abril, apenas quinze dias após sua fuga, já em Sant'Ângelo, Francisco recebe Inês, irmã de Clara que também havia fugido de
casa. Pouco depois,
Francisco faz umas adaptações em São Damião para as irmãs e transfere-as para lá. Outras irmãs se unem a elas, e Francisco se encarrega da formação espiritual delas.
1215 - Novembro: o Concílio IV de Latrão proíbe a criação de novas Regras monásticas. As Damianitas
deveriam seguir a Regra de São Bento. Clara preocupa-se, pois, de acordo com esta Regra, os mosteiros
deviam ter propriedades.
1216 - Clara obtém do papa Inocêncio III o Privilégio da Pobreza, segundo o qual ninguém poderia obrigar as irmãs de São Damião a possuir rendas e propriedades.
Clara, por insistência de Francisco, aceita ser abadessa.
1217 - O cardeal Hugolino escreve a Honório III, propondo tomar as Damas Pobres sob sua proteção. A
resposta do papa é o primeiro documento do Bullarium Franciscanum.
1218 - 27 de agosto: Honório III dá plenos poderes ao cardeal Hugolino para cuidar das Damas Pobres.
1225 - Mês de março: Francisco visita Santa Clara em São Damião.
1225 - Clara, por sua vez, adoece com uma doença que durará pelo resto de sua vida. A provável causa
desta doença talvez tenha sido o excesso dos jejuns e mortificações.
1226 - Dia 3 de outubro, à tarde: Francisco morreu cantando. No dia seguinte, domingo, foi sepultado na
igreja de São Jorge, mas antes o cortejo fúnebre passou por São Damião, para ser venerado por Clara e
suas irmãs.
1227 - Reinaldo de Segni é nomeado cardeal protetor dos Menores e das Damas Pobres.
1228 - Gregório IX escreve carta a Clara por motivo da canonização de São Francisco. Carta do cardeal
Reinaldo contendo uma lista de 28 mosteiros existentes da Segunda Ordem.
Nomeação de Frei Filipe Longo como visitador de todos os mosteiros das damianitas.
Em Pamplona, é fundado o primeiro mosteiro das Damas Pobres fora da Itália.
17 de setembro: Gregório IX confirma o Privilégio da Pobreza.
1234 - Inês de Praga entra na Ordem.
1234-1238 - Clara escreve três das cartas a Inês de Praga.
1240 - Tropas sarracenas mercenárias a serviço do imperador assaltam o mosteiro de São Damião. Fuga
dos inimigos por força da oração de Clara.
1241 - Vital de Anversa sitia a cidade de Assis com as tropas imperiais. A oração de Clara e das irmãs
impede o assalto à cidade.
1245 - Confirmação da Regra de Hugolino
1247 - Regra de Inocêncio IV (6 de agosto). Depois desta data, Clara escreve o Testamento.
As damianitas professam a Regra de São Francisco.
1252 - Clara escreve sua Regra e obtém a aprovação do cardeal protetor.
1253 - Início: Clara escreve a quarta carta a Inês de Praga
Dia 9 de agosto: Clara obtém a aprovação pontifícia da Regra.
Dia 11 de agosto: Clara morre de maneira santa e é sepultada na igreja de São Jorge, a mesma que recebeu os restos mortais de Francisco.
Dia 27 de agosto: Morre Inês de Assis, irmã de Santa Clara.
Dia 18 de outubro: Início do processo de canonização de Clara.
1255 - Clara é canonizada em Anagni pelo papa Alexandre IV, provavelmente no dia 15 de agosto. É
publicada sua Legenda, bem como a Bula de Canonização.
1257 - Mudança das irmãs do Mosteiro de São Damião para o protomosteiro, junto ao corpo de Clara.
1259 - Aprovação da Regra de Isabel de Longchamp.
1260 - O corpo de Clara é transladado para a basílica construída em seu nome sobre a antiga igreja de São Jorge.
1263 - O papa Urbano IV promulga nova Regra para as Clarissas, nome pelo qual passam a ser conhecidas as Damas Pobres.

Textos
BÊNÇÃO DE SANTA CLARA
Começa a bênção da mesma Santa Clara a suas Irmãs presentes e futuras.
1 Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cfr. Mat 28,19).
2 O Senhor as abençoe e guarde; 3 mostre-lhes o seu rosto e tenha misericórdia de vocês; 4 volte a sua face para vocês e lhes dê a paz (cfr. Num 6,24-26), a vocês minhas irmãs e filhas, 5 e
a todas as outras que vierem e permanecerem em sua comunidade, e a todas as outras, tanto presentes quanto futuras, que perseverarem até o fim nos outros mosteiros das senhoras
pobres.
6 Eu, Clara, serva de Cristo, plantinha do nosso bem-aventurado pai São Francisco, irmã e mãe de vocês e das outras irmãs pobres, embora indigna, 7 rogo a nosso Senhor Jesus Cristo, por
sua misericórdia e por intercessão de sua santíssima Mãe Santa Maria, de São Miguel Arcanjo e de todos os anjos de Deus, do nosso bem-aventurado pai Francisco e de todos os santos e
santas, 8 que o próprio Pai celeste lhes dê e confirme esta sua santíssima bênção no céu e na terra (cfr. Gn 27,28): 9 na terra, fazendo-as crescer na graça e em virtude entre seus servos e
servas na sua Igreja militante; 10 no céu, exaltando-as e glorificando-as na Igreja triunfante entre os seus santos e santas.
11 E as abençôo em minha vida e depois de minha morte, como posso, com todas as bênçãos 12 com que o Pai das misericórdias (cfr. 2Cor 1,3) abençoou e abençoará seus filhos e filhas no
céu (cfr. Ef 1,3) e na terra, 13 e com os quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e abençoarão seus filhos e filhas espirituais.
Amém.
14 Amem sempre as suas almas e as de todas as suas Irmãs, 15 e sejam sempre solícitas na observância do que prometeram a Deus.
16 O Senhor esteja sempre com vocês (cfr. Lc 1,28; 2Cor 13,11) e oxalá estejam vocês também sempre
com Ele. Amém.
Termina a bênção de nossa santíssima mãe Clara.

TESTAMENTO DE SANTA CLARA
1 Em nome do Senhor! (cfr. Col 3,17) Amém!
2 Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia (cfr. 2Cor 1,3) e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso
Pai de Cristo, 3 está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida. 4 Por isso diz o Apóstolo:
"Reconhece a tua vocação" (cf. 1Cor 1,26).
5 O Filho de Deus fez-se para nós o Caminho (cf. Jo 14,6; 1Tm 4,12), que nosso bem-aventurado pai
Francisco, que o amou e seguiu de verdade, nos mostrou e ensinou por palavra e exemplo.
6 Por isso, queridas Irmãs, devemos considerar os imensos benefícios que Deus nos concedeu, 7 mas, entre outros, aqueles que Ele se dignou realizar em nós por seu dileto servo, nosso pai
São Francisco, 8 não só depois de nossa conversão mas também quando estávamos na miserável vaidade do mundo. 9 Pois, quando o santo, logo depois de sua conversão, sem ter ainda
irmãos ou companheiros, 10 estava construindo a igreja de São Damião, em que foi visitado plenamente pela graça divina, e foi impelido a abandonar totalmente o mundo, 11 numa grande
alegria e iluminação do Espírito Santo, profetizou a nosso respeito aquilo que o Senhor veio a cumprir mais tarde.
12 Pois, nessa ocasião, subindo ao muro da igreja, ele disse em voz alta e em francês para uns pobres que moravam ali perto: 13 Venham me ajudar na obra do mosteiro de São Damião, 14
porque nele ainda haverão de morar umas senhoras cuja vida famosa e santo comportamento vão glorificar nosso Pai celestial (cfr. Mt 5,16) em toda a sua santa Igreja.
15 Nisso nós podemos considerar, portanto, a copiosa bondade de Deus para conosco, 16 pois, em sua
imensa misericórdia e amor, dignou-se contar essas coisas sobre nossa vocação e eleição (cfr. 2Pd 1,10),
através do seu santo. 17 E o nosso bem-aventurado pai Francisco não profetizou isso só a nosso respeito, mas também sobre as outras que haveriam de vir, na santa vocação em que Deus
nos chamou.
18 Com que solicitude, então, com que zelo da mente e do corpo devemos observar o que foi mandado por Deus e por nosso pai, para restituir o talento multiplicado, com a colaboração do
Senhor! 19 Pois o próprio Senhor colocou-nos não só como modelo, exemplo e espelho para os outros, mas também para nossas irmãs, que ele vai chamar para a nossa vocação, 20 para
que também elas sejam espelho e exemplo para os que vivem no mundo. 21 Portanto, se o Senhor nos chamou a coisas tão elevadas que em nós possam espelhar-se as que deverão ser
exemplo e espelho para os outros, 22 estamos bem obrigadas a bendizer e louvar a Deus, dando força ainda maior umas às outras para fazer o bem no Senhor. 23 Por isso, se vivermos de
acordo com essa forma, daremos aos outros um nobre exemplo (cfr. 2Mc 6,28.31) e vamos conquistar o prêmio da bem-aventurança eterna com um trabalho muito breve.
24 Depois que o Altíssimo Pai celestial, por sua misericórdia e graça, se dignou iluminar meu coração para fazer penitência segundo o exemplo e ensino de nosso bem-aventurado pai
Francisco, 25 pouco depois de sua conversão, com algumas irmãs que Deus me dera logo após a minha conversão, eu lhe prometi obediência voluntariamente, 26 como o Senhor nos
concedera pela luz da sua graça através da vida admirável e do ensinamento dele.
27 Vendo o bem-aventurado Francisco que nós, embora frágeis e fisicamente sem forças, não recusávamos nenhuma privação, pobreza, trabalho, tribulação, nem humilhação ou o desprezo
do mundo, 28 e até julgávamos tudo isso as maiores delícias, como pôde comprovar freqüentemente em nós a exemplo dos santos e dos seus frades, alegrou-se muito no Senhor. 29 E
movido de piedade para conosco, assumiu o compromisso, por si e por sua Ordem, de ter sempre por nós o mesmo cuidado diligente e a mesma atenção especial que tinha para com seus
irmãos.
30 E assim, por vontade de Deus e do nosso bem-aventurado pai Francisco, fomos morar junto da igreja de São Damião, 31 onde em pouco tempo o Senhor nos multiplicou por sua
misericórdia e graça, a fim de que se cumprisse o que tinha predito por seu santo. 32 Pois antes tínhamos morado em outro lugar, embora por pouco tempo.
33 Depois escreveu para nós uma forma de vida, principalmente para que perseverássemos sempre na santa pobreza. 34 E não se contentou em exortar-nos durante a sua vida com muitos
sermões (cfr. Act 20,2) e exemplos ao amor e observância da santa pobreza, mas nos deu muitos escritos, para que depois de sua morte não nos desviássemos dela de modo algum, 35 como
o Filho de Deus, enquanto viveu neste mundo, não quis jamais afastar-se da santa pobreza. 36 Também o nosso bem-aventurado pai Francisco, imitando os seus passos (cfr. 1Pd 2,21), pelo
exemplo e pelo ensinamento, nunca se desviou, em toda a vida, de sua santa pobreza, que escolheu para si e seus irmãos.
37 Por isso eu, Clara, serva de Cristo e das Irmãs Pobres do mosteiro de São Damião, embora indigna, e
verdadeira plantinha do santo pai, considerando com as minhas outras Irmãs a nossa tão alta profissão e o mandamento de tão grande pai, 38 como também a fragilidade de outras, que
temíamos em nós mesmas depois do falecimento do nosso pai São Francisco, que era a nossa coluna e única consolação depois de Deus e o nosso apoio (cfr. 1Tm 3,15), 39 repetidas vezes
fizemos nossa entrega voluntária a nossa santíssima Senhora Pobreza, para que, depois de minha morte, as Irmãs que estão e as que vierem não possam de maneira alguma afastar-se dela.
40 E como sempre fui cuidadosa e solícita em observar a santa pobreza que prometemos ao Senhor e ao
nosso bem-aventurado pai Francisco, e em fazer que fosse observada pelas outras, 41 assim sejam
obrigadas até o fim aquelas que vão me suceder no ofício a observar e fazer observar sua santa pobreza,
com o auxílio de Deus. 42 Para maior segurança, tive a preocupação de conseguir do senhor papa
Inocêncio, em cujo tempo começamos, e dos seus outros sucessores, que corroborassem com os seus
privilégios a nossa profissão da santíssima pobreza, que prometemos ao Senhor e ao nosso bem-aventurado pai, 43 para que em tempo algum nos afastássemos dela de maneira alguma.
44 Por isso, de joelhos dobrados e prostrada de corpo e alma, recomendo todas as minhas Irmãs atuais e futuras à santa mãe Igreja Romana, ao Sumo Pontífice e principalmente ao senhor
cardeal que for
encarregado da Ordem dos Frades Menores e de nós, 45 para que, por amor daquele Deus que pobre foi posto no presépio (cfr. Luc 12,32), viveu pobre no mundo e ficou nú no patíbulo, 46
faça com que sempre o seu pequeno rebanho (cfr. Lc 12,32), que o Senhor Pai gerou em sua Igreja pela palavra e o exemplo do nosso bem-aventurado pai São Francisco para seguir a
pobreza e a humildade do seu Filho dileto e da Virgem, sua gloriosa Mãe, 47 observe a santa pobreza que prometemos a Deus e a nosso bem-aventurado pai Francisco e nela digne-se
encorajá-las e con-serva-las.
48 E como o Senhor nos deu nosso bem-aventurado pai Francisco como fundador, plantador16 e auxílio no serviço de Cristo e naquilo que prometemos ao Senhor e ao nosso pai, 49 e como
ele durante a sua vida mostrou tanto cuidado em palavras e obras para tratar e cuidar de nós, sua plantinha, 50 assim recomendo e confio minhas Irmãs, presentes e futuras, ao sucessor do
nosso bem-aventurado pai Francisco e a toda a Ordem, 51 para que nos ajudem a crescer sempre mais no serviço de Deus e principalmente a observar melhor a santa pobreza.
52 Se em algum tempo acontecer que as Irmãs tenham que deixar este lugar para se estabelecer em outro, sejam obrigadas, em qualquer lugar em que estiverem depois da minha morte, a
observar a referida forma de pobreza que prometemos a Deus e a nosso bem-aventurado pai Francisco.
53 A que estiver no ofício deve ser tão solícita e previdente como as outras Irmãs para não adquirir nem
receber junto a esse lugar nenhuma terra a não ser a que for exigida pela extrema necessidade para a horta em que temos que cultivar verduras.
54 Mas se em algum lugar, para honestidade e para isolamento do mosteiro for conveniente ter mais terreno além da cerca da horta, não permitam que seja adquirido ou mesmo recebido
mais do que for pedido pela necessidade extrema. 55 E essa terra não deve ser trabalhada nem semeada mas ficar sempre baldia e inculta.
56 No Senhor Jesus Cristo, aconselho e admoesto a todas as minhas Irmãs, presentes e futuras, que sempre se empenhem em seguir o caminho da santa simplicidade, da humildade, da
pobreza e também uma vida honesta e santa, 57 como aprendemos de Cristo e de nosso bem-aventurado pai Francisco desde o início de nossa conversão. 58 Foi dessas coisas que, não por
nossos méritos mas só por misericórdia e graça de quem o deu, o Pai das misericórdias, espalhou-se o perfume (cfr. 2Cor 1,3; 2,15) da boa reputação, tanto para os de longe como para os
de perto.59 E amando-vos umas às outras com a caridade de Cristo, demonstrai por fora, por meio das boas obras, o amor que tendes dentro, 60 para que, provocadas por esse exemplo, as
Irmãs cresçam sempre no amor de Deus e na mútua caridade.
61 Rogo também à que estiver a serviço das Irmãs que trate de estar à frente das outras mais por virtudes e santos costumes do que pelo ofício, 62 de forma que suas Irmãs, provocadas por
seu exemplo, não obedeçam tanto por dever como por amor. 63 Seja também previdente e discreta para com suas Irmãs, como uma boa mãe faz com suas filhas, 64 tratando especialmente
de provê-las de acordo com as necessidades de cada uma, com as esmolas que forem dadas pelo Senhor. 65 Também seja tão bondosa e acessível que possam manifestar com segurança
suas necessidades 66 e recorrer a ela confiadamente a qualquer hora, como lhes parecer conveniente, tanto por si mesmas, como por suas Irmãs.
67 Mas as Irmãs que são súditas lembrem-se de que renunciaram à própria vontade por amor de Deus. 68
Por isso quero que obedeçam à sua mãe, como prometeram ao Senhor, espontaneamente, 69 de modo que sua mãe, vendo o amor, a humildade e a unidade que as Irmãs têm entre si, possa
levar mais facilmente o peso que tem que suportar por causa do ofício, 70 e o que é molesto e amargo mude-se em doçura para ela pelo bom comportamento das Irmãs.
71 E como é estreito o caminho e apertada a porta por onde se vai e se entra na vida, são poucos os que
por aí passam e entram (cfr. Mt 7,13.14). 72 E se há alguns que nele andam por um tempo, são
pouquíssimos os que nele perseveram. 73 Mas felizes são aqueles a quem foi dado andar por ele e
perseverar até o fim (cfr. Sl 118,1; Mt 10,22).
74 Tomemos cuidado, portanto, para que, se entramos pelo caminho do Senhor, de maneira alguma nos
afastemos dele em algum tempo por nossa culpa e ignorância, 75 para não ofendermos a tão grande Senhor, a sua Virgem Mãe, a nosso bem-aventurado pai Francisco, à Igreja triunfante e
mesmo à militante. 76 Pois está escrito: Malditos os que se desviam de vossos mandamentos (Sl 118,21).
77 Por isso dobro os joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Ef 3,14) para que, pela
intercessão dos méritos de sua Mãe, a gloriosa Virgem Santa Maria, de nosso bem-aventurado pai
Francisco e de todos os santos, 78 o Senhor que deu o bom começo dê o crescimento (cfr.1Cor 3,6.7) e
também a perseverança até o fim. Amém.
79 Deixo-vos isto por escrito, minhas queridas e amadas Irmãs, presentes e futuras, para que seja melhor observado em sinal da bênção do Senhor e do nosso bem-aventurado pai Francisco,
e da minha bênção de mãe e vossa serva.
Termina o Testamento da bem-aventurada virgem Clara.

SEGUNDA CARTA DE SANTA CLARA
A SANTA INÊS DE PRAGA
1,2 Clara, serva inútil e indigna das pobres damas, saúda dona Inês, filha do Rei dos reis, serva do Senhor
dos senhores (cfr. Ap 19,16; 1Tm 6,15), esposa digníssima de Jesus Cristo e por isso rainha nobilíssima,
augurando que viva sempre na mais alta pobreza.
3 Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito (Tg
1,17), pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, 4 para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito (cfr. Mt 5,48), mereça ser tão perfeita que seus
olhos não vejam em você nada de imperfeito (cfr. Sl 138,16).
5 É essa perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado. 6 Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à
proposta de um casamento imperial, 7 você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem
mereceu unir-se em matrimônio.
8 Mas eu sei que você é rica de virtudes e vou ser breve para não a sobrecarregar de palavras supérfluas, 9 mesmo que não lhe pareça demasiado nada que lhe possa dar alguma
consolação.
10 Mas, como uma só coisa é necessária (Lc 10,42), é só isso que eu confirmo, exortando-a por amor
daquele a quem você se entregou como oferenda santa (cfr. Rm 12,1) e agradável. 11 Lembre-se da sua
decisão como uma segunda Raquel: não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe (cfr. Ct 3,4) 12 mas, em rápida corrida, com
passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, 13 confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. 14 Não confie em ninguém, não
consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho (cfr. Rm 14,13), para não cumprir seus votos ao Altíssimo (Sl 49,14) na perfeição em que o Espírito do
Senhor a chamou.
15 Nisso, para ir com mais segurança pelo caminho dos mandamentos (cfr. Ps 118,32) do Senhor, siga o
conselho de nosso venerável pai, o nosso Frei Elias, ministro geral. 16 Prefira-o aos conselhos dos outros e tenha-o como o mais precioso dom.
17 Se alguém lhe disser outra coisa, ou sugerir algo diferente, que impeça a sua perfeição ou parecer
contrário ao chamado de Deus, mesmo que mereça sua veneração, não siga o seu conselho. 18 Abrace o
Cristo pobre como uma virgem pobre.
19 Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo. 20 Com o
desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens (Sl 44,3) feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e
tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz.
21 Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele (cfr. 2Tm 2,11.12; Rm 8,17) na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste
nos esplendores dos
santos (Sl 109,3). 22 E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida (Sl 109,3).
23 Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecedores, e viverá pelos séculos
dos séculos.
24 Adeus, irmã querida, senhora minha pelo Senhor que é seu esposo. 25 Em suas piedosas preces, procure lembrar ao Senhor (cfr. At 14,22) de mim e de minhas Irmãs, que nos alegramos
com os bens que o Senhor realiza em você por sua graça. 26 Recomende-nos também, e muito, às suas Irmãs.
From the Founder and Superior

IThe Transitus of St. Francis marks the night hes left his earthly life to a life in heaven with Our Lord Jesus. He died on October 3, 1226, a
small man in his forties who had wanted to live a simple life in service to God. His message attracted many followers across Europe.
Today, in the 21st century, the  Franciscan Order of Saint Joseph Cupertino desires to span the globe.

Francis could have led a life of luxury and earthly power. He was born into a wealthy cloth merchant family in Assisi, Italy around 1181 or
82. As a young man he spent his days admiring troubadours who traveled across Europe and performed their poetic songs to audiences.
He also partook in raucous celebrations and planned on becoming a knight. His forays as a warrior against nearby Perugia ended in
capture and imprisonment. The time in isolation allowed Francis to reflect on what God really wanted him to do in life.

If you have the desire to learn more or vocation to become a Franciscan Friar of Saint Joseph Cupertino, please contact us at
Franciscancupertinos@gmail.com or write to us: 156 Grove Street Brockton, MA 02302-3517 or you can call us at 508-586-8004

+
Bishop Filipe C Teixeira, OFSJC
Founder - Superior